segunda-feira, 10 de junho de 2013

Parágrafo 1

Postado por Unknown às 04:59

Sentada em um banco envelhecido, frio, tudo quieto demais, a moça estava lá buscando respostas dentro dela de coisas que nem ela sabia direito. Olhava para o chão e viajava num sonho profundo, sua cabeça estava cheia demais, era tão difícil compreende - lá porque ela tinha muitos defeitos, não era como a maioria e não queria ser. Algumas pessoas achavam aquele jeito dela esquisito, maluco, de outro mundo, não gostavam, não entendiam o jeito dela, e ela se fixava no mundo que criava dentro de sua cabeça e seu quarto. Ela nunca foi do jeito que as pessoas normalmente são, e sempre soube disso, e até tentou se “enquadrar” em algum tipo de grupo social, festas e pessoas querendo ser algo definitivamente bizarro. Ela também não entendia o motivo das pessoas ter esses jeitos, pra que tentar ser algo que você não é? É meio que um medo de tentar ser realmente quem é? Medo do que os outros vão pensar ao seu respeito? Ela não se importava com nada disso, talvez por conta disso não fizesse parte de grupo algum. Perdida em pensamentos, ficava por ali vendo o dia acontecendo enquanto desenhava em um caderno um rosto com um sorriso e uma lágrima. Traduzia o que sentia às vezes. Era de uma expressão tamanha, tinha olhos misteriosos e do lado era esfumado, com um ar de envelhecido. Dentro daquele caderno havia cartas e textos antigos em que ela tinha feito há muitos anos atrás, era uma espécie de diário. Folhas soltas, rabiscadas, números, letras, corações, medo, alegria, tristeza, tudo misturado, dá pra imaginar isso em um só caderno? Do lado dela havia uma bolsa onde ela tinha umas coisas antigas, então a abriu e começou a ver aqueles pequenos tesouros esquecidos no tempo ou com o tempo... Tinha um livro que ela leu na adolescência, um romance é claro, e dentro daquele livro bem no meio dele tinha uma rosa. Ela ficou surpresa com aquela rosa em pedaços, mas inteira lá no meio. E lá tinha um parágrafo que dizia:
 “Menina bonita era aquela que não escondia o que sentia menina singela, doce e amarga porque a vida pedia um pouco disso também. Era uma doce solidão, uma solidão boa, porque não tem nada melhor do que estar bem e ficar bem com você mesmo. Pra que ter mil pessoas do seu lado se quando precisar nenhuma vai estar ali?”

O texto continuava, mas ela não conseguiu ler, pois começou uma pequena chuva e ela recolheu rapidamente seus pertences e sua bolsa e foi embora. De uma coisa ela sabia. Aquela rosa não estava lá por acaso e seu jeito não era um defeito, era apenas a sua maneira de ver o mundo a sua volta. Sentada em uma poltrona, ouvindo algum programa no rádio. Adormeceu ali mesmo. O dia seguinte, bom isso fica pra outro dia.

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